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Mostrando entradas de febrero, 2005

A cruz em tempos de covid-19

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Parece que, na ausência de representações teatrais, procissões, sermões, ou filmes sobre a crucifixão de Jesus, este ano impõe-se a própria realidade como forma de reflexão sobre um elemento central da fé cristã, a morte de Jesus. É duro que assim seja, mas nestas alturas é mais que evidente que estamos nesse ponto. Cada um de nós ocupa uma posição relativamente à cruz neste cenário macabro: os doentes e falecidos cravados nela junto das suas famílias, os profissionais da saúde e o pessoal essencial ao pé da cruz acompanhando os que sofrem, os que tentam tirar algum proveito económico protegendo-a para que seja visível por todas, pessoas de outros lugares do mundo vendo-a passar através do ecrã do seu televisor ou telefone móvel, a população confinada nas suas casas alheando-se com medo dela, como os discípulos e, finalmente, deus ocupando o mesmo lugar que no passado, o da ausência.

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou do armário

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Diga ao povo que marche! Tome sua vara e estenda a mão sobre o mar. Divida as águas para que os israelitas atravessem pelo meio do mar, em terra seca.(Ex 14.15b-16). Em sociedades secularizadas como a nossa, é plausível que a Bíblia não tenha nada a ver com a vida da grande maioria da população. Se você não tem cabelos grisalhos, é difícil saber quem eram Rute e Noemi, e se por algum motivo o nome de Sansão não te é estranho, pode ser que você o confunda com um integrante do Quarteto Fantástico. Mas se você nasceu em uma família cristã e as histórias bíblicas são para você o pão nosso de cada dia, não significa tampouco que suas experiências sejam refletidas, questionadas ou desafiadas por ela. Talvez seja apenas o lugar pra você justificar legalmente se o que você faz é ou não correto, mas sem nenhum tipo reinterpretação a partir da sua própria experiência. Tampouco precisa ser uma fonte de libertação, porque talvez ela seja como uma água estagnada no pântano que outros construíram, e…

Famílias gays. Nada melhor que um pouco de realidade

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Desde que esta manhã cedo passara diante de casa um rapaz montado num burro e tocando o pífaro,que as meninas estão emocionadas. Saltaram da cama e desceram as escadas a toda a velocidade, “papás, já começa, vêm os cavalos”. As festas de São Cristovão são como o dia de Natal para Natália, e o que dizer da Ângela, que pensa que a sua irmã é o melhor que há neste mundo. Surpreendentemente desciam vestidas e com a intenção de sair para a rua, abrimos-lhes a porta para que os vissem, mas com a condição de que tomassem o pequeno-almoço primeiro. “Que chatice, nós queremos tocar nos cavalos!”, Ângela repete o mesmo: “queremos tocar nos cavalos”. Acabaram o leite e os cereais num tempo recorde e saímos para que os pudessem acariciar. Ângela fá-lo com medo, na realidade é uma menina um pouco tímida, mas se a sua irmã os acaricia ela não vai ficar para trás. Ontem mesmo no zoo, pôs-se uns bons dois metros nos ombros porque Natália o tinha feito antes.

"Uma igreja que é machista não é cristã". Entrevista com Carlos Osma, evangélico e militante gay

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"A Bíblia foi roubada de nós, cristãos LGBT", dizCarlos Osma, espanhol, professor de matemática, que também se define como cristão, protestante e gay. Também afirma que "umaigreja que é machista não é cristã". "Pertence simplesmente a algumas pessoas", explica. “E eu acredito que a Bíblia tem muitas histórias, que todos, não apenas crentes, não crentes, gays, lésbicas ... fazem parte de nossa cultura. Então, tem coisas para contribuir. Eu acredito que todos podem lê-la".

Igrejas, abusos e hashtags absurdos

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A cimeira vaticana sobre pedofilia terminou no passado dia 24 de fevereiro, deixando de novo uma grande deceção entre as vítimas que esperavam algo mais que palavras e boas intenções. Miguel Hurtado, porta-voz espanhol da Organização Global de Vítimas ECA (Ending Clergy Abuse) afirmou depois de se conhecerem as conclusões da cimeira que: “O papa Francisco deu uma bofetada a todas as vítimas de pedofilia que viemos dos cinco continentes para pedir explicações. Passou metade do discurso a falar dos abusos fora da Igreja. A nós abusaram-nos dentro da Igreja, eram sacerdotes, monjes, professores católicos. Esperávamos uma resposta que não nos deu”.