lunes, noviembre 14

Dentro do armário não há cristianismo


Ainda me surpreende que nos nossos dias os evangélicos lgtbi do meu país vivam maioritariamente dentro do armário e se “deixem” maltratar psicologicamente pelos discursos fundamentalistas que encontram nas suas Igrejas e nas suas famílias evangélicas. Parece-me tão repugnante às vezes e o maltrato a que são submetidos que me custa entender porque é que o fogo, que segundo a lenda caiu sobre Sodoma, não cai de forma real sobre essas igrejas e sobre essas famílias e as faz desaparecer para sempre. É que é patético ver como se humilha as pessoas e se faz sofrer de maneira tão cruel enquanto se canta e prega o amor de Jesus. Que bando hipócritas!


Mas deixando de lado a atitude destes supostos seguidores de Jesus que na realidade não são mais que um grupeco de medíocres que gostariam de ser os primeiros, pergunto-me porque é que os evangélicos lgtbi que formais parte de todas e de cada uma das igrejas evangélicas deste país, não saís fugindo destes campos de concentração ou câmaras de tortura. Sim, já sei, sei que tendes uma dependência emocional e que se vos atreveis a ser vós próprios ou vós próprias sereis expulsos do único mundo que conheceis e vos dá segurança. Mas que segurança é essa que te destroça a vida? Que segurança é aquela que te leva até ao desespero? Ou aquela que te faz deitar pelo esgoto a vida feliz que poderias ter?

É absolutamente certo que na maioria das ocasiões sair do armário num ambiente evangélico supõe ficares só. E essa é uma experiência muito dura, que deixa muito claro que evangelho seguem os evangélicos com os que crescemos. Mas bendita solidão, aquela que te permite voltar a construir a tua vida, uma vida de verdade e não a vida de merda que tens agora. Uma prenda divina é a solidão na qual já não escutas as palavras paternalistas dos que querem ser bons contigo mas que na realidade te magoam. Uma oportunidade irrepetível ficares só para começar de novo, para te abrires à esperança de conhecer algo distinto, para poderes respirar e te moveres com liberdade. Imaginas-te? Talvez já nem isso podes.

E é que as pessoas lgtbi que viveis dentro do armário dentro das igrejas evangélicas, podereis ser pastoras, cantoras, diáconos, ou professoras da escola dominical; mas não sois cristãs, ou pelo menos não viveis o cristianismo. Porque seguir a Jesus não tem nada que ver com o fingimento a que reduzistes a vossa vida. Seguir Jesus rebenta todas as jaulas em que vos metestes e é possível que vos deixe no meio do nada, mas um nada onde podeis seguir Jesus, o mestre, e não a montanha de ignorâncias e superficialidades religiosas com as que fomos educados. Dentro de um armário não há fé, não se segue, não há amor. Não há cristianismo. E todo esse sofrimento que produz a repressão e com o que crês ganhar o céu, não serve para nada... O céu vive-se a partir daqui seguindo Jesus, não o pequeno mundo evangélico que te diz como tens que viver a tua vida para ser aceitável.

Em algum momento há que se decidir ser corajoso, digo eu! Em algum momento as leituras bíblicas que fizeste desde que eras um menino ou uma menina e que mostravam pessoas enfrentando a hipocrisia, as convenções sociais, mesmo a morte... devem interpelar-te, devem dizer-te: “O evangelho empurra-me a abandonar a minha vida de engano para poder viver a vida de verdade que Deus quer para mim”. Em algum momento, se a homofobia em que foste educado, deixou algum resquício para que o evangelho ponha uma semente dentro de ti, dirás: “Eu quero seguir Jesus verdadeiramente e tenho que me opor ao ódio da homofobia. A minha fé, chama-me a isso”. Em algum momento, se não te destroçaram a vida, ou não te fizeram perder a fé para sempre, dirás: “Eu quero ser cristão”.

E se não, podes continuar como até agora, com a tua vida dupla, com a dor no peito, com o medo de ser descoberto. Com subidas e descidas emocionais que com o tempo te produzirão uma doença psicológica, se não a tens já. Ou com a comodidade de fazer alguma escapadinha de vez em quando para te aliviares e depois voltar ao rebanho a olhar com maus olhos os que não são tão bons cristãos como tu. Podes esconder-te detrás de cinco versículos, ou da bíblia inteira, mas bem sabes que és um cobarde, não um cristão. Se queres sê-lo terás que escutar o mestre, que te chama a deixar as redes em que estás preso e com que às vezes tentas apanhar outras e outros, e o sigas. Isso é o cristianismo, um salto no vazio, não uma mudança de igreja. Um salto para o vazio, para o nada, mas com uma clara direção: a felicidade, o amor e a liberdade.


Carlos Osma

Tradução de Aníbal Liberal Neves




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