lunes, marzo 14

“A IGREJA PADECE DE HOMOFOBIA: NECESSITA UMA TERAPIA DE CONVERSÃO”. Entrevista a Krzysztof Charamsa


Há pouco mais de quatro meses que "saiu do armário" e em tão pouco espaço de tempo perdeu o seu trabalho como professor de teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, foi afastado das suas funções como secretário adjunto da Comissão Teológica Internacional e de oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, encheu primeiras páginas de jornais, participando em programas de televisão e rádio, e veio mesmo viver para Barcelona. Como se sente neste momento? Como avalia o que lhe aconteceu a nível pessoal?

Sinto-me cristãmente libertado e realizado. Penso que esta foi a verdadeira boa “passagem” (metanoia) da minha vida espiritual – uma verdadeira páscoa da minha ressurreição. Para mim foi também o cumprimento da minha missão como sacerdote. Paradoxalmente, quando as instituições católicas me impuseram a proibição de exercer o ministério, em consciência sinto que justamente agora amadureci a verdadeira fidelidade à minha vocação como pessoa homossexual chamada por Deus a ser pastor. É o momento da libertação cristã, da transparência da minha boa e natural identidade que ofereci a Deus para ser sacerdote e que não pode continuar sendo negada e ofendida pela minha Igreja. É também a libertação das mentiras promovidas pela instituição da Igreja sobre as minorias sexuais. Antes da minha saída do armário, no meu trabalho no Vaticano fui obrigado a dizer estas mentiras, como numa ditadura irracional.
Pensa que conseguiu sacudir a consciência da Igreja católica com a sua “saída do armário”? Ou simplesmente deu razão àqueles que já estavam convertidos da inclusividade dentro e fora da Igreja?
Sobretudo recebi muitíssimas mensagens de apoio e também de gratidão pela minha “saída do armário”. Creio que a consciência da Igreja e dos crentes no mundo necessitam destes sinais. A comunidade necessita das “saídas” que movem a consciência. Neste sentido o meu “coming out” é algo que quer tocar a consciência da Igreja, ainda que esteja claro que os efeitos não se podem ver de imediato. A Igreja católica só quer eliminar o “problema” de um alto funcionário vaticano que diz uma verdade incómoda. A primeira reação católica e dos ambientes homofóbicos (e não só católicos) foi uma campanha para desacreditar e neutralizar a pessoa que se liberta e exige a reflexão sobre a situação das minorias sexuais. Para ter adormecida a consciência da Igreja, a sua gente deve estigmatizar e desacreditar um gesto como o meu, concentrando-se, por exemplo, no celibato, que neste caso é uma questão de todo secundária e conectada profundamente com a paranóica negação da sã orientação sexual (o celibato está pensado na Igreja católica como o “armário” para os gays, e o “armário” vai contra a dignidade pessoal, não pode ser um lugar de serenidade e de paz. A esta Igreja digo-lhe: primeiro devemos limpar a nossa consciência de ofensas contra os homossexuais e depois falaremos de celibato, que se deve basear numa serena aceitação da própria identidade sexual).

O “Coming out” de um sacerdote é a maneira de despertar a consciência eclesial sobre o tema da dignidade e dos direitos humanos e cristãos das pessoas homossexuais, como eu, que na Igreja são discriminadas e odiadas. Cristãmente, o mistério e o respeito da pessoa vão antes de disciplinas que não são essenciais para  o serviço à Igreja. Mas não é assim na Igreja católica. A Igreja católica neste momento está paralisada pelas emoções negativas de medo anti-gay, que são emoções que bloqueiam o uso sereno da razão. Nesta direção se move a hierarquia, o Vaticano, e uma boa parte dos fiéis que são promovidos pelo clero e gritam com bastante força (pensa só na “Manif pour tous” ou nas recentes manifestações católicas de Roma e na promoção do ódio contra as minorias sexuais e do desprezo pelas pessoas LGBTIQ). Esses gritos exasperados, manipulados pela hierarquia, escondem que na realidade há muitíssimos católicos (silenciosos) que querem a reflexão, o respeito, a inclusividade e, sobretudo, o conhecimento e a compreensão dos demais, neste caso das pessoas LGBTIQ. Parece que o próprio Papa encerrou esta discussão, que no princípio do seu pontificado parecia que ia abrir. Assim, agora na Igreja católica só podem gritar os homófobos, que oferecem e mantêm a imagem da Igreja. O católico que não é homófobo é acusado de ser infiel à doutrina atual da Igreja, à qual os católicos devem obedecer. Esta doutrina é na atualidade profundamente homofóbica e proíbe qualquer “coming out” aos católicos LGBTIQ, considera-os pessoas incapazes de amar, que somente procuram sexo, estabelece discriminações precisas de homossexuais e julga que discriminar gays no trabalho e na sociedade é justo; compara as pessoas homossexuais com  doentes mentais. Para se dar conta da realidade da homofobia católica imposta a todos os fiéis, é muito importante ler os documentos da Igreja nesta matéria, que ofendem a dignidade humana das pessoas LGBTIQ.

Penso que cada vez que se produz um “coming out” dentro da Igreja, esta na realidade desperta, inquieta-se, ainda que os bons frutos não se possam ver de imediato. O ódio homofóbico na Igreja é demasiado forte e tem a sua origem nos mais importantes gabinetes vaticanos.

Surpreendeu-me que em algumas das suas declarações tenha falado da Congregação para a Doutrina da Fé como “um lugar elitista, como a cúpula do poder”, onde se dá “um frio e cego doutrinamento, um legalismo automático, cheio de farisaísmo insensível”. O que é que fazia ali? Ser parte de tudo isso, não o fazia sofrer? Arrepende-se de ter feito parte dessa instituição?

No princípio do meu trabalho acreditava que a Congregação para a Doutrina da Fé era um lugar de reflexão crente e intelectual, aberta à verdade e ao desenvolvimento dos conhecimentos da humanidade, mas não era assim. A descoberta da verdade foi para mim muito doloroso. Na Inquisição fecha-se qualquer discussão  séria e objetiva  com a ciência sobre a homossexualidade seguindo o espírito clássico de una homofobia irracional. Produziu-me um sofrimento especialmente doloroso descobrir que pessoas ignorantes levam a cabo certas políticas que não têm nada que ver com a verdade do Evangelho nem com o conhecimento científico, mas unicamente com o ódio aos gays.

Mas não me arrependo de ter formado parte dessa instituição, porque me ajudou a entender como se governa a Igreja católica e como se domina a mentalidade católica. A experiência da atual Inquisição não é uma experiência cristã, mas a mim ajudou-me a libertar-me. Foi como um duche de água fria que te acorda e te faz voltar à essência do Cristianismo. O Vaticano não conhece o cristianismo, que não é poder político, falsidade, vida dupla do clero, dinheiro e carreira. Mas deve-se experimentá-lo para se dar conta do que se passa realmente na sociedade machista da Igreja católica. Sem o experimentar, é difícil imaginar tudo isto.

Reconheceu o que toda a gente intui, que a percentagem de homossexualidade entre os sacerdotes católicos é superior à média. Contudo, também disse claramente que dentro da Igreja católica há uma perseguição às pessoas LGTBI. Na sua opinião: O que é que pensa que tem o cristianismo em geral, ou a Igreja Católica em particular, para que as cristãs e os cristãos aceitem a discriminação que sofrem e que exerçam mesmo a homofobia?

A razão principal da aceitação cega da discriminação e da homofobia é a mentalidade católica secular, nutrida pela falsa interpretação judaico-cristã de alguns fragmentos da Bíblia. Esta mentalidade homófoba conetada com o sistema machista, patriarcal e misógino é muito forte e a Igreja católica com o seu governo hierárquico não permite estudar e discutir esses erros do passado. Prefere que os erros continuem, também porque – pensam – é só uma minoria a que tem que sofrer (as minorias sexuais). Este fenómeno não é nem humano nem cristão, mas muito católico e vaticano.

A Igreja católica, antes de começar a oferecer o seu serviço às pessoas LGBTIQ, deve aprofundar o seu próprio conhecimento científico e vivencial. Creio que deve fazer um processo de conversão, para o qual propus 10 pontos no meu “Novo manifesto homossexual” que publiquei a 3 de outubro de 2015, o dia da minha “saída do armário”. Foi também o manifesto das razões do meu “coming out”.

Não tinha esperança que o sínodo do Papa Francisco pudesse tratar seriamente e com respeito a questão homossexual, porque o tema da homossexualidade foi eliminado muito antes do início do sínodo. Mas também não pensava que o sínodo de Francisco ofendesse os homossexuais comparando-os com os nazis (e o papa não pensou que deve pedir perdão pelo seu cardeal africano, que expressou este pensamento, que na realidade é o pensamento de toda a Congregação para a doutrina da fé. O cardeal Sarah disse o que no Vaticano se pensa, mas que nem sempre se diz). Esta é a força da homofobia mantida pelas hierarquias e assim se contagia as massas católicas. Até que as massas não acordem, o clero manterá o poder homofóbico, criando um inimigo para odiar, que agora são os gays, como antes foram os judeus. Neste campo é importante a coragem de cada “coming out,” mas sobretudo as ações das comunidades LGBTIQ e também as ações ecuménicas, considerando que muitos evangélicos e anglicanos já avançaram nos debates que a Igreja Católica deverá abrir no futuro.

Define-se agora como “um homossexual que já não tem medo o dizer”, o que é que mudou? O que é que há na fé cristã que pode libertar as pessoas LGTBI dos seus medos?

O essencial da fé é libertar-se dos vários medos da nossa vida. A fé é a coragem de uma amizade e a transparência de uma relação, de ser si mesmo perante Deus e os demais. A fé não pode aceitar os medos, as tristezas e as falsidades. Mas atualmente o comportamento e o pensamento da Igreja católica perante as minorias sexuais molda nos corações das pessoas LGBTIQ unicamente o medo e a rejeição, o ódio contra si próprios, o que é contrário à nossa fé evangélica. Aqui a culpa da Igreja católica, com o seu obstinado atraso no estudo sério e livre de preconceitos da orientação sexual, é enorme. E uma fé católica, como a proposta pela Igreja homofóbica, é efetivamente contrária às pessoas LGBTIQ e humilha a sua dignidade.

Mas a verdadeira fé cristã efetivamente liberta todas as pessoas dos medos e ajuda a compreenderem-se a si mesmos e aos outros em Jesus Cristo. Isto é particularmente importante no caso das pessoas LGBTIQ, para quem o medo está conetado com a perceção estereotipada da própria identidade. Muitas vezes é um medo  provocado pela própria experiência da religião. É triste dize-lo, mas um gay ou uma lésbica ou uma pessoa transexual deve libertar-se o mais rapidamente possível de uma experiência religiosa deste tipo, ainda que seja à custa de dizer à Igreja palavras duras, como estas com as que apresentei o meu “coming out”. Há que ter a coragem de exigir às instituições da própria religião ou confissão uma conversa em nome da verdade e da dignidade da pessoa humana. A um enfermo deve-se lhe dizer claramente que está enfermo e a Igreja está enferma de homofobia: necessita uma cura, uma terapia de conversão.

A verdadeira fé é outra coisa. Isto é o fantástico da fé cristã e da pessoa de Jesus, em cuja mensagem existe todo o espaço necessário para a realização plena das pessoas LGBTIQ, como pessoas que procuram amor e querem realizar o seu amor de acordo com a sua orientação sexual. A Igreja atual não o entende, mas muitos católicos que lêem a Bíblia (pensa por exemplo nos da teologia queer), já o entendem e descobrem como a verdadeira fé em Jesus (não homofóbica) dá força às pessoas LGBTIQ e obriga-as a ser elas mesmas, a amar os seus próprios companheiros ou companheiras, a não esconder a sua identidade e orientação sexual, que são coisas boas. Muito boas... são a nossa “praia” para amar, expressam a nossa personalidade humana. Expressam a nossa natureza de amar, de cada orientação sexual, também da heterossexual. Na fé não se pode viver em contradição com a sua natureza. Para os católicos LGBTIQ isto significa que para manter a fé devem rejeitar a doutrina da Igreja sobre eles, que é falsa, contrária à razão. Aqui se abre o mistério do conflito de consciência de um crente e de alguém que ama a Igreja. Vivi este conflito em todo o seu drama, procurando a força para pôr-me de parte da verdade de Deus, de Jesus Cristo e da humanidade criada por Deus.

Relativamente ao papa Francisco, há diversidade de opiniões, algumas pessoas pensam que tem a vontade de abrir a Igreja às pessoas LGTBI, outras que é puro marketing… Que opinião tem?

O papa Francisco é um dom de Deus para a Igreja. Não posso imaginar o que poderia acontecer agora com a Igreja católica se houvesse outro papa de nacionalidade italiana, que foi o candidato esperado pela Congregação para a doutrina da fé (onde a Bíblia não se lê, mas se faz uma política de procura de poder não propiamente cristã). Francisco pelo menos abriu uma certa liberdade de pensar, que esteve paralisada na Igreja. Mas parece-me que se está afastando desse entusiasmo do princípio. Penso que ele se apercebe que no Vaticano não tem ninguém com quem refletir. A Congregação para a doutrina da fé é um gabinete que trabalha contra o papa e o nível intelectual não permite nenhuma reflexão que não seja somente impor um doutrinamento frio, que é sempre uma defesa da própria ignorância ou da própria posição de poder de tipo político, isto é, puro farisaísmo.

Ficou claro que na Igreja católica não há lugar para um sacerdote homossexual enamorado como o senhor, contudo admite que será sempre sacerdote... Decidiu se esse sacerdócio o exercerá dentro da Igreja católica para erradicar a homofobia? Ou aposta em o fazer dentro de comunidades cristãs claramente inclusivas?

Na Igreja como sacerdote perdi o meu trabalho e penso que já não o posso recuperar, porque a condição que apresentou a autoridade da Igreja foi que eu negasse tudo o que disse a 3 de outubro na minha “saída do armário”, o que significa que eu teria que negar que sou gay. Deveria voltar ao armário! Isto é simplesmente ridículo. Ou deveria permitir que me impusessem terapias corretivas: esta é a verdadeira violência da Igreja católica. Isto que pede a hierarquia é violentamente homofóbico e também irracional. No final só dá vontade de rir pela ignorância deste clero assustado, enquanto eu me libertei do medo constante, que foi a dimensão do ministério imposta na Igreja.

Neste momento estou ainda na Igreja católica e não deixo de denunciar a sua homofobia. O futuro está nas mãos de Deus e então veremos o que prepara para mim. Confio na sua vontade e esforçar-me-ei, como até agora, em ler esta vontade na minha consciência, em a entender e realizar, como fez Maria, a mãe de Jesus e como deve fazer cada cristão e cristã.

Afirma que não encontrou na Bíblia nenhuma página que fale de homossexualidade. Contudo muitas igrejas protestantes recorrem à Bíblia para defender a sua homofobia e muitos cristãos e cristãs LGTBI procuram nela textos com os quais defendem a sua maneira de ser, sentir e amar... Que opina de tudo isto?

A Bíblia fala nuns poucos lugares de homogenitalidade, que é a atividade sexual genital realizada pelos homens (parece-me que não fala explicitamente de uma atividade equivalente entre mulheres), independentemente da orientação sexual. Da orientação sexual (da homossexualidade) a Bíblia não tem nem a mais pequena ideia, como não a tinham ainda muitos dos nossos avós.

Há várias Igrejas protestantes muito homofóbicas que estão numa particular aliança com a Igreja católica: a aliança não de amor cristão, mas de ódio anti-gay. Isto não pode ser bíblico. A nossa história demonstra que se alguém quer, com a Bíblia pode lutar contra a dignidade dos escravos, das mulheres, das pessoas de com cor da pele diferente da nossa. Todos estes comportamentos de ódio, de discriminação e segregação foram justificados no passado por cristãos com a Bíblia na mão. Mas por este fundamentalismo só se deve pedir perdão.

Jesus revela outro sentido das Escrituras e quer fundar comunidades diferentes para os seus discípulos, onde ninguém possa ser discriminado pela sua pele, raça, condição social, género ou orientação sexual.

Apresentou-nos o seu companheiro através dos meios de comunicação e reconheceu que está muito apaixonado. Para terminar gostaria de lhe perguntar como mudou esta relação a maneira como se vê a si próprio e como vive a fé em Jesus Cristo.

Primeiro de tudo permitiu-me sentir que sou uma pessoa capaz de amar, capaz de me enamorar e de começar a desenvolver uma relação de amor. Como sabe, a Igreja católica obriga os seus fiéis a pensar que as pessoas homossexuais não são capazes de amar (já disse anteriormente que há que ler os conteúdos violentos dos documentos da Congregação para a doutrina da fé, que são o magistério da Igreja). É uma grande ofensa à humanidade exercida com a autoridade da Igreja católica e em nome de Deus. Experimentei a riqueza de amar e de confiar noutra pessoa que gosta de mim e isto é algo fundamental para a experiência da fé em Jesus Cristo. Jesus não é contrário ao amor, a Igreja católica tem muitos problemas com o mistério do amor.

Em termos positivos, vi como o amor pelo meu companheiro me fez melhor sacerdote, melhor pastor. O amor de Deus não exclui o amor da pessoa humana, não exclui o mistério de se enamorar, que pode oferecer uma boa energia para o ministério sacerdotal. Não se pode impor o celibato a ninguém, como se impõe atualmente de maneira velada aos sacerdotes católicos latinos. Isto é contrário às boas energias das pessoas e ao mistério do amor nas nossas vidas, não é são e contradiz os valores profundos do coração humano. E sobretudo não o exige o sacerdócio. É uma disciplina que se deve mudar. Somente há que deixar o amor – que é essencial no sacerdócio.

O meu desejo para todas as pessoas LGBTIQ, cristãs ou não cristãs, é que tenham a coragem de procurar o amor e a coragem de realizar as suas relações de amor, de acordo com a sua orientação sexual, que é uma riqueza das nossas personalidades. Não há religião, fé ou igreja que possa cancelar o amor humano, porque desta maneira ofende e suprime a própria humanidade. Deus-Amor é maior que os olhos fechados e que a insensibilidade dos corações de certas Igrejas. Deus abençoa as nossas saídas do armário, porque fazem bem a nós próprios, à sociedade e às Igrejas. Deus abençoa o “coming out” das pessoas LGBTIQ, porque nos ama.


Muito obrigado pela sua amabilidade.


Entrevista realizada por Carlos Osma
Tradução de Aníbal Liberal Neves


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